quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pigs On The Wing (Part One)

If you didn't care what happened to me,
And I didn't care for you,
We would zig zag our way through the boredom and pain,
Occasionally glancing up through the rain,
Wondering  which of the buggers to blame
And watching for pigs on the wing.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

pequeno grande amor
que gerou toda sorte de reflexão
se fosse apenas um pequeno amor
passaria longe do meu epicentro
se fosse um grandíssimo amor
estaria tudo ao meu redor devastado
mas foi um pequeno grande amor
daqueles que têm tamanhos pequenos para todos os lados
e só podem ser medidos por dentro
Não pretendo saber o que me pertence
para guardar melhor.

Há algo que o tempo não toca.
O tempo não está decidido no rosto,
mas na forma como se escapa do tempo.
Quanto maior o desespero em fugir,
maior será a velhice.
Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.

Talvez palmeiras inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-las cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nessa terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmeiras de sonho ou não,
que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.
Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar
E nunca despertar.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sei lá... A vida tem sempre razão

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.

Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.

A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.

De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas que a própria vida.
Há tanta coisa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.
Dizem?
Esquecem.
Não dizem?
Disseram.

Fazem?
Fatal.
Não fazem?
Igual.

Por quê
Esperar?
- Tudo é
Sonhar.

Do Estilo

Fere de leve a frase... E esquece... Nada
       Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa sem mil vezes dita.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

48

beijo eu ou beija você
primeiro?

primeiro eu me lanço
ou deixo você ser
pioneiro?

primeiro toco você ou
você me toca em janeiro?

janeiro será tarde demais
ou será mais verdadeiro?

primeiro eu ou primeiro você
a engatar a primeira?

primeiro você

44

dizem que sou autoritária, ou é do meu jeito ou não interessa
verdade, e a maior vítima é esta que lhes confessa
por mais que eu tente não consigo mandar na minha vontade

2

saudade eu tenho do que não nos coube
lamento apenas o desconhecimento
daquilo que não deu tempo de repartir
você não saboreou meu suor
eu não lhe provei as lágrimas
é no líquido que somos desvendados
no gosto das coisas o amor se reconhece
o meu pior e o meu melhor e os seus
ficaram sem ser apresentados

9

acenda um fósforo em mim, não queima
perfure com uma faca, não jorra
cuspa na minha cara, não escorre
quase nada me traz consequência
não há aderência em gente que teima

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou:
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou?
Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
Um muro de nuvens densas
Põe na base do ocidente
Negras roxuras pretensas.

Com a noite tudo acaba.
O céu frio e transparente.
Nada de chuva desaba.

E não sei se tenho pena
Ou alegria da ausente
Chuva e da noite serena.

De resto, nunca sei nada.
Minha alma é a sombra presente
De uma presença passada.

Meus sentimentos são rastros.
Só meu pensamento sente...
A noite esfria-se de astros.

Canções do Mundo Acabado

                1

Meus olhos andam sem sono,
somente por te avistarem
de uma tão grande distância.

De altos mastros ainda rondo
tua lembrança nos ares.
O resto é sem importância.

Certamente, não há nada
de ti, sobre este horizonte,
desde que ficaste ausente.

Mas é isso o que me mata:
sentir que estás não sei onde,
mas sempre na minha frente.



                2


Não acredites em tudo
que disser a minha boca
sempre que te fale ou cante.

Quando não parece, é muito,
quando é muito, é muito pouco,
e depois nunca é bastante...

Foste o mundo sem ternura
em cujas praias morreram
meus desejos de ser tua.

A água salgada me escuta
e mistura nas areias
meu pranto e o pranto da lua.

Penso no que me dizias, 
e como falavas, e como te rias...
Tua voz mora no mar.

A mim não fizeste rir
e nunca viste chorar.

(Porque o tempo sempre foi 
longo para me esqueceres
e curto para te amar.)
Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonho tecesse malhas
e os braços colhessem redes!

Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem ventos nas areias!

Se não houvesse saudade,
solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse,
além de breve, perdida!

Eu tinha um cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo.
E em labirintos se movem
os fantasmas que persigo.

Cântico VII

Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Por não esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
você pára
a fim de ver
o que te espera

só uma nuvem
te separa
das estrelas
acordo          logo               durmo
durmo           logo               acordo
nem              memórias       nem diários
comigo         mesmo           dialogo
daqui            até                  ali
dali               até                  logo
você
que a gente chama
quando gama
quando está com medo
e mágua
quando está com sede
e não tem água
você
só você
que a gente segue
até que acaba
em cheque
ou em chamas
qualquer som
qualquer um
pode ser tua voz
teu zumzumzum
todo susto
sob a forma
de um súbito arbusto
seixo solto
céu revolto
pode ser teu vulto
ou tua volta
uma carta uma brasa através
por dentro do texto
nuvem cheia da minha chuva
cruza o deserto por mim
a montanha caminha
o mar entre os dois
uma sílaba um soluço
um sim um não um ai
sinais dizendo nós
quando não estamos mais

domingo, 4 de setembro de 2011

À queima-roupa,
tua nudez
foi meu casaco aos ombros.
Fazia frio no futuro.
Não beijes a minha testa.
Que seja a orelha, o nariz,
o queixo.
A testa, não.
Sinal excessivo de respeito.
Um pouco mais
e me chamas de pai
junto com os filhos.

domingo, 31 de julho de 2011

As cartas de amor
deveriam ser fechadas
com a língua.
Beijadas antes de enviadas.
Sopradas. Respiradas.
O esforço do pulmão
capturado pelo envelope,
a letra tremendo
como uma pálpebra.
Não a cola isenta, neutra,
mas a espuma, a gentileza,
a gripe, o contágio.
Porque a saliva acalma um machucado.

As cartas de amor
deveriam ser abertas
com os dentes.
Não me inquieto
quando não recebo as respostas
das perguntas que não fiz.
Eu me conformei
em reservar alguma coisa
de ti para saber depois.
Um pouco de nosso amor
será póstumo.
É recomendável
não descobrir todos os segredos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

eu

eu edito mas não é inédito
eu medito mas sempre sou cético
eu acredito mas não me dão crédito
eu me medico mas não tenho remédio
eu me dedico mas não é nada sério
eu implico mas não sou cego
eu sou todo ouvidos mas não ouço estéreo
eu pago mico mas não nego
eu tenho siricotico mas não lembro do telecoteco
eu sempre sigo mas não estou nem perto

eu sou o meu mistério

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O corpo e a mente
têm biografias separadas,
cada um com sua memória própria,
seu próprio jogo de charadas.
Meu corpo tem lembranças
- cheiros, tiques, andanças -
que a mente não registrou
e o corpo não tem as marcas
de metade do que a mente passou.
(Pior que uma mente insana
num corpo sem muito assunto
é um corpo que já foi ao Nirvana
sem que a mente tenha ido junto.)
Cada um tem um passado
do qua o outro não tem pista
(como um bilhete amassado)
e nem o Mahabharata
explica uma mente anarquista
num corpo socialdemocrata.
Compartilham bioplasmas
e o gosto por certas atrizes,
mas não têm os mesmos fantasmas
nem as mesmas cicatrizes.
Das duas, uma, gente:
ou toda mente é de outro corpo
- ou todo corpo mente.

Reflexões no Espelho

Por onde anda a gente quando dorme
pra acordar com esta cara disforme
de quem fez o que não devia?
E este gosto na garganta
é o resto de que janta
de que secreta ambrosia
de que gim ou malvasia?
E se só estivermos no leito
por que acordar deste jeito
com este olhar de pouco assunto?
Pra onde vai meu ser noturno
pra me deixar assim soturno
- e por que não me leva junto?

domingo, 10 de julho de 2011

All My Loving

Close your eyes and I'll kiss you
Tomorrow I'll miss you
Remember I'll always be true
And then while I'm away
I'll write home everyday
And I'll send all my loving to you

I'll pretend that I'm kissing
The lips I am missing
And hope that my dreams will come true

And then while I'm away
I'll write home everyday
And I'll send all my loving to you

All my loving I will send to you
All my loving, darling, I'll be true

quarta-feira, 6 de julho de 2011

82.

tudo pela maturidade: sofra
e sofremos o diabo: tudo pelo crescimento
levante a cabeça e siga: avante
pela sanidade: enfrente
tudo pelo seu currículo: conte
confesse humildemente: tudo pelo seu prestígio
chore: faz parte do aprendizado
cumpra o destino que lhe cabe: erre
perdoe a si mesmo: tudo pela integridade
cansa: ser gente através da vivência

18.

quantas ondas quebrarão diante de meus olhos?
talvez umas setecentas bilhões de ondas, já que do mar me afasto pouco
e beijos, quantas vezes os meus lábios roçarão os lábios dele?
provavelmente umas oitocentas e vinte mil vezes, até o final do ano.

quantas risadas ainda darei, mesmo que por dentro esteja febril,
e quantas idades durará o brilho do olhar, quantos plays meu jazz favorito?
ainda lerei uns mil e seiscentos livros na vida se minhas contas estiverem certas
e havendo tantos anos esperando por mim, e com as córneas funcionando.

quantas músicas me farão calar e treinar o disfarce do pranto,
quantas vezes vou entrar numa estrada e quantas vezes vou deixá-la,
quantos mil quilômetros irei me perseguir, por quanto tempo me rastrearei?
irei ao supermercado muito mais vezes do que chegarei ao ponto.

Anteprojeto

No princípio era o caos
ou é agora?
Brincadeira tem hora!
Eu dou meu testemunho:
Isso que está aí
É apenas um rascunho.

Poeminha de Somenos

Ser pontual
Torra até o torresmo
Já esperei muito e a todos:
Sobretudo a mim mesmo.

10

por onde queres entrar: boca, ouvido, vagina?
então entre e fique bem dentro, muito além da periferia
inicie sua turnê pelo interior do meu corpo e descubra
que muito mais do que um estômago, um fígado e dois rins
habita em mim uma cidade, um povaréu, outro planeta
experimente meu sangue, dê cá sua língua, lamba
sinta do que é feita a minha umidade, e com muito tato
desdobre meus pensamentos, que é aquela coisa enroscada
ali no meio do meu cérebro, desmonte, sacuda, não tenha medo
se cair não quebra, são várias ideias robustas
brigam entre si mas se gostam, moram na mesma casa
e onde faz barulho é onde fica o coração, musculoso e aflito
tem um som, reverbera, ora forte ora rançoso, chegue perto
e agora venha cá espiar com meus olhos, veja o que eu vejo
de que jeito enxergo o mundo de dentro pra fora, agora a alma
aproxime-se e toque, tirando o resto a alma é tudo o que sobra

Folha de Papel

Olha só o que o vento faz com o papel
E traga ele a notícia que for
Vai voar, voar
É assim quando se gosta de alguém
Não se consegue mais impedir
Que o amor
Faça o mesmo com o coração
Traga ele que razões trouxer
Nem o tempo sabe mais dizer
Quando é ontem, hoje ou amanhã.
Olha só, como a gente nem sabe
Onde está
Nós somos o papel a voar
Contemplando este mundo
Tristonho, profundo
Olha bem, porque quando se tem
Tanto amor
A gente pode ter muito mais.
Voa, voa, voa, voa...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

objeto

objeto
do meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo

seja a estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza

faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
ou de nós dois
seja

domingo, 15 de maio de 2011

Tenho pensamentos que,

Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.

sábado, 14 de maio de 2011

Soul To Squeeze

I've got a bad disease
Up from my brain is where I bleed.
Insanity it seems
Has got me by my soul to squeeze.

Well all the love from thee
With all the dying trees I scream.
The angels in my dreams (yeah)
Have turned to demons of greed that's me.

Where I go I just don't know
I got to got to gotta take it slow.
When I find my peace of mind
I'm gonna give you some of my good time.

Today love smiled on me.
It took away my pain, said please
I'll let your ride be free
You gotta let it be.

Oh, so polite indeed
Well I got everything I need.
Oh, make my days a breeze
And take away my self destruction.

It's bitter berry,
And it's very sweet.
I'm on a rollercoaster,
but I'm on my feet.
Take me to the river,
Lay me on your shore.
'Cause I'll be coming back baby,
I'll be coming back for more.

Diddle doddle ding a zing a zong zong a zing
a zoma zoma zoma con don bing
I cound not forget
But I will not endeavor
Simple pleasures are more special
But I wont regret it never.

Where I go I just don't know
I might end up somewhere in Mexico.

When I find my piece of mind
I'm gonna keep you for the end of time.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

ah se pelo menos

ah se pelo menos
eu te amasse menos
tudo era mais fácil
os dias mais amenos
folhas de dentro da alface

mas não
tinha que ser entre nós
esse fogo
esse ferro
essa pedreira
extremos
chamando extremos na distância

Sei là

vai pela sombra, firme,
o desejo desespero de voltar
antes mesmo de ir-me
antes de cometer o crime,
me transformar em outro
ou em outro transformar-me
quem sabe obra de arte,
talvez, sei lá, falso alarme,
grito caindo no poço,
neste pouco poço nada vejo nem ouço
mais mais mais
cada vez menos

poder isso, sinto, é tudo que posso,
o tão pouco tudo que podemos

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O amor é indigesto

O amor é indigesto
Principalmente quando algo fica entalado na garganta
Como esse ar abafado de chuva
Que costuma oprimir quem enlouquece dentro de casa
Lento, venenoso, sufocante
Como se o quarto se impregnasse com as moléculas de solidão
Mas, com a maldição de um gás lacrimogêneo
Que ao invés de verter, seca os olhos

Um cair da tarde denso, pesado, cáustico

Uma vontade de derrubar o portão
E ficar de braços abertos na chuva
Um coração que bate disritmado
As pernas vencidas que conhecem
A inutilidade das ações

Lá fora, cai uma chuva ácida
Que corroe a alma
A cada barulho de pingo d'água

O amor que irriga o sangue dos homens
Vem misturado de respiração ofegante
Excesso de gás carbônico
O grito seco que também se prende à hemoglobina
Enjoa, enoja, causa ânsias

Uma gargalhada louca que poderia salvar as vidas
Se cala diante do cérebro que ainda recebe oxigênio

Mas, quando esgotar todas as alternativas
Quando perceber que a vontade de amar
Vem disfarçada de seca
E que o desejo d'água é o único que pode
desvencilhar esse jogo de matar ou morrer
Quando na verdade a indigestão do amor
É um pedido de afogamento

Como suspensão do tempo de uma nuvem que anuncia tempestade
Como um dique que se rompe com a violência da força d'água
Como uma enxurrada que arrasta todos que amam ao rio abaixo
Mas com que propriedades?
Que força da natureza seria capaz de libertar
os prisioneiros de um sentimento tão avassalador?

Mas que temporal poderá salvar os homens que se afogam de amor?


domingo, 8 de maio de 2011

Não diferencio os cogumelos

Não diferencio os cogumelos
venenosos dos sadios,
os inços das ervas curativas.
Como descobrir
o que mata
sem morrer um pouco por vez?

Spell

I kept your smell
your strenght
the closeness of bodies that fit
and sweetness was all over us.

Há partes dentro da gente

Há partes dentro da gente
que nunca serão educadas.
A morte é uma delas.

Não sou o que aprendi.
Sou o que falta aprender.

Um pouco de

Um pouco de raiva não me fará mal.
Há frutos que apodrecem
por excesso de doçura.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Take P/Bere

  foi tudo muito súbito
tudo muito susto
  tudo assim como a resposta
fica quando chega a pergunta

  esse isso meio assunto
que é quando a gente está longe
  e continua junto

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Quem disse que eu me mudei?

Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

So Right

Roll out down to midnight
Then roll on downtown 'till it's light
Because tomorrow we may die
Oh, but tonight we're dancing in the faint light
Don't rob yourself of all that you could be
Roll hard 'til midnight
Roll 'til it's light
Come on now
Stay up and make some memories
Yeah, with us now
Roll the red carpet out with friends
To whom, to love and roll on
Our love is so right
I won't waste a minute here tonight
Our love is so right
And tonight my dance is all about you
To midnight love you,
Roll and run the red lights
You know the game now is keep it tight
Oh, how I love your pretty rock-roll kisses
Come on and stay with me
Roll and run the red lights
Come on, this love is so right
Stay up and make some memories
Yeah, with us now
To roll the red carpet out with friends
Oh, to love and roll on now
Our love is so right
I can taste
We're in it here tonight
Our love is so right
And tonight my dance
Is all about you
I'm going crazy
And it's all 'cause of you
I'm going under, over you, over you
This time is so alive
Everybody's tranced, dancing tonight
Oh so beautiful, and so strange
Oh, it was empty until you came...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Você

De repente a dor
De esperar terminou
E o amor veio enfim
Eu que sempre sonhei
Mas não acreditei
Muito em mim

Vi o tempo passar
O inverno chegar
Outra vez mas desta vez
Todo pranto sumiu
Um encanto surgiu
Meu amor

Você
É mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava, baby

Você
É algo assim
É tudo pra mim
É como eu sonhava, baby

Sou feliz agora
Não não vá embora não
Não não não não não

Não não vá embora
Vou morrer de saudade
Não não vá embora
Vou morrer de saudade

segunda-feira, 25 de abril de 2011

aqui

aqui

neste pedra

alguém sentou
olhando o mar

o mar
não parou
pra ser olhado

foi mar
pra tudo quanto é lado

Temporal

fazia tempo
   que eu não me sentia
tão sentimental

Invitation Au Voyage

Se cada um de vós, ó vós outros da televisão
- vós que viajais inertes
como defuntos num caixão -
se cada um de vós abrisse um livro de poemas...
faria uma verdadeira viagem...
Num livro de poemas se descobre de tudo, de tudo mesmo!
- Inclusive o amor e outras novidades.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

das coisas

das coisas
que eu fiz a metro
todos saberão
quantos quilômetros
são

aquelas
em centímetros
sentimentos mínimos
ímpetos infinitos
não?

No Alto da Rua

A solidão corre pela veia dos homens
É um cair da tarde, toda insossa, afundar-se no sofá da sala
Sem palavras, sem remorsos, nem olhares
Uma sensação de estar numa cidade estrangeira
E que a noite nunca vai chegar
Ninguém desconfia que amanhã espera um outro mundo

O tempo se suspende sem que se saiba como
Um quadro da infância, reproduz as ruas
E transforma os homens em observadores

O crepúsculo de cor azul que cai cinzindo tudo,
O andar apressado de transeuntes,
A coincidência de quem passa mas não deixa motivos

Esqueçam a vida, tudo se resume na rua que se estende até onde
sua vista alcança

Uma conversa amigável que não se ouve
Tudo somente intenções
Sem som, nem fúria
É tudo que passa ou consegue reter
Ou alguém que virando de costas desaparece pela esquina da rua

É até onde tudo vai
A rua que se estende até onde a vista alcança

este planeta, às vezes, cansa

  este planeta, às vezes, cansa
almas pretas com suas caras brancas
  suas noites de briga braba,
sujas tardes de água mansa,
  minutos de luz e pavor

  casa cheia de doce,
ondas tinindo de dor,
  acabou-se o que era amargo,
pisar este planeta
  como quem esmaga uma flor

quinta-feira, 21 de abril de 2011

De onde é quase o horizonte

De onde é quase o horizonte
Sobe uma névoa ligeira
E afaga o pequeno monte
Que pára na dianteira.

E com braços de farrapo
Quase invisíveis e frios,
Faz cair seu ser de trapo
Sobre os contornos macios.

Um pouco de alto medito
A névoa só com a ver.
A vida? Não acredito.
A crença? Não sei viver.

Os Degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Gardênias e hortênsias

   gardênias e hortênsias
não façam nada
   que me lembre
que a este mundo eu pertença

   deixem-me pensar
que tudo não passa
   de uma terrível coincidência

Sujeito Indireto

   Quem dera eu achasse um jeito
de fazer tudo perfeito,
   feito a coisa fosse o projeto
e tudo já nascesse satisfeito.
   Quem dera eu visse o outro lado,
o lado de lá, lado meio,
   onde o triângulo é quadrado
e o torto parece direito.
   Quem dera um ângulo reto.
Já começo a ficar cheio
   de não saber quando eu falto,
de ser, mim, indireto sujeito.

Saber? Que sei eu?

Saber? Que sei eu?
Pensar é descrer.
- Leve e azul é o céu -
Tudo é tão difícil
De compreender!...

A ciência, uma fada
Num conto de louco...
- A luz é lavada -
Como o que nós vemos
É nítido e pouco!

Que sei eu que abrande
Meu anseio fundo?
Ó céu real e grande.
Não saber o modo
De pensar o mundo!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ame-me bem devagar

Ame-me bem devagar
Como compasso dessa canção
Como cartas escritas à luz de vela
Como quem dança desajeitado com medo de errar

Cante uma canção ao anoitecer
Para que eu possa acordar do dia
Porque à noite, eu não quero sonhar

Sonhos ruins eu tenho, quando não estou com você
Sei que você também amarga uma vida ingrata sem mim

Mas cante a música que quiser
Hoje serei o seu par

Dance, dance, dance sem parar
A noite inteira, a vida toda
Ao fim, eu juro que vou encontrar uma saída
Enquanto isso, divirta-se
Cante-me uma canção
E conceda sua mão para uma dança lenta

Da Observação

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

domingo, 17 de abril de 2011

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir... 
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel.
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube
o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!