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domingo, 8 de abril de 2012

Desconexo

Vence o sono feito torpor
Aqui vai uma ocupação que me faz esquecer quem sou

Como esvair da consciência
O cotidiano me preenche
Fico preocupado não sei do quê

Tudo passa sem se dar conta
Nada que faço justifica quem sou

Ninguém projeta sombra

Onde estive livre ultimamente?

Fumaça, fumaça, feito tempo
Onde vendo minha alma que já não me faz falta?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Todos dançam lentamente
Dão seus passos tímidos para o lado
E esperam que a música os arremate
Mas todos dançam sozinhos
Mesmo acompanhados
Ninguém pode escutar ou sintonizar
A música que toca em cada íntimo

A vida sempre promove um baile cego
Todos dançam com todos
Mas na verdade, ninguém dança com ninguém

Tente assobiar
E saberá que a felicidade é somente sua
Imperfeito, solitário e trágico

Mas o amor também dança em passo lento
Ele dita, mastiga e cospe
A partitura que você rege
Para tocar
A miserável sinfonia de cada um de nós

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O amor é indigesto

O amor é indigesto
Principalmente quando algo fica entalado na garganta
Como esse ar abafado de chuva
Que costuma oprimir quem enlouquece dentro de casa
Lento, venenoso, sufocante
Como se o quarto se impregnasse com as moléculas de solidão
Mas, com a maldição de um gás lacrimogêneo
Que ao invés de verter, seca os olhos

Um cair da tarde denso, pesado, cáustico

Uma vontade de derrubar o portão
E ficar de braços abertos na chuva
Um coração que bate disritmado
As pernas vencidas que conhecem
A inutilidade das ações

Lá fora, cai uma chuva ácida
Que corroe a alma
A cada barulho de pingo d'água

O amor que irriga o sangue dos homens
Vem misturado de respiração ofegante
Excesso de gás carbônico
O grito seco que também se prende à hemoglobina
Enjoa, enoja, causa ânsias

Uma gargalhada louca que poderia salvar as vidas
Se cala diante do cérebro que ainda recebe oxigênio

Mas, quando esgotar todas as alternativas
Quando perceber que a vontade de amar
Vem disfarçada de seca
E que o desejo d'água é o único que pode
desvencilhar esse jogo de matar ou morrer
Quando na verdade a indigestão do amor
É um pedido de afogamento

Como suspensão do tempo de uma nuvem que anuncia tempestade
Como um dique que se rompe com a violência da força d'água
Como uma enxurrada que arrasta todos que amam ao rio abaixo
Mas com que propriedades?
Que força da natureza seria capaz de libertar
os prisioneiros de um sentimento tão avassalador?

Mas que temporal poderá salvar os homens que se afogam de amor?


sexta-feira, 22 de abril de 2011

No Alto da Rua

A solidão corre pela veia dos homens
É um cair da tarde, toda insossa, afundar-se no sofá da sala
Sem palavras, sem remorsos, nem olhares
Uma sensação de estar numa cidade estrangeira
E que a noite nunca vai chegar
Ninguém desconfia que amanhã espera um outro mundo

O tempo se suspende sem que se saiba como
Um quadro da infância, reproduz as ruas
E transforma os homens em observadores

O crepúsculo de cor azul que cai cinzindo tudo,
O andar apressado de transeuntes,
A coincidência de quem passa mas não deixa motivos

Esqueçam a vida, tudo se resume na rua que se estende até onde
sua vista alcança

Uma conversa amigável que não se ouve
Tudo somente intenções
Sem som, nem fúria
É tudo que passa ou consegue reter
Ou alguém que virando de costas desaparece pela esquina da rua

É até onde tudo vai
A rua que se estende até onde a vista alcança

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ame-me bem devagar

Ame-me bem devagar
Como compasso dessa canção
Como cartas escritas à luz de vela
Como quem dança desajeitado com medo de errar

Cante uma canção ao anoitecer
Para que eu possa acordar do dia
Porque à noite, eu não quero sonhar

Sonhos ruins eu tenho, quando não estou com você
Sei que você também amarga uma vida ingrata sem mim

Mas cante a música que quiser
Hoje serei o seu par

Dance, dance, dance sem parar
A noite inteira, a vida toda
Ao fim, eu juro que vou encontrar uma saída
Enquanto isso, divirta-se
Cante-me uma canção
E conceda sua mão para uma dança lenta