quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Enfrentamos infâncias terríveis,
com as maldades correndo
nos dois lados.

Meu rosto é estranho, metade
elefante, metade cavalo,
como se não tivesse sido acabado.
Colegas contavam minha história
dizendo que ficou a placenta
e esqueceram o feto.

Foste estrábica
pelo teu desejo de estar
em dois lugares
ao mesmo tempo.

Mudamos o caminho da escola,
não arredávamos o pé da sala no recreio,
aguentamos o corredor polonês,
os arremessos da merenda.

Não me venha dizer que a infância é pura e bela,
ela assassina a ternura tanto quanto a velhice.

Como uma irmã menor que me cabe guiar,
pego forte a mão de teus olhos
para atravessar a rua.

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